domingo, 5 de setembro de 2010

e é assim,

A relva cresceu e parou-me,
O vento zumbiu forte e travou-me,
tu apareceste e sorriste,
mas nao confiei e como esperava,
tu fraco, fugiste.

As palavras vindas de ti
perderam agora o sentido,
e a tua voz?
é só mais um gemido.

Eu fartei-me dos teus jogos,
eu fartei-me das tuas promessas,
dos teus insólitos,
da falta de peças.

Se algum dia pedir que voltes,
não venhas!
Se algum dia pedir que me ouças,
revolta-te!
Se algum dia disser que te amo,
apenas beija-me e solta-te!

Eu sufoco-me entre almofadas,
eu iludo-me e digo-me que um dia mato-te,
eu corro e desespero entre espadas,
mas, hoje eu digo: eu amo-te.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A última viagem (!)

Apesar de tudo sinto-me uma mulher de sorte, afinal, quantos não dariam qualquer coisa para hoje acordar e pensar "ontem foi só mais um dia" ?
Começo a pensar que me submeti a grandes tensões causadas por mim própria sem necessidade e acabei sentada num assento de um carro numa longa viagem sem destino, sentindo-me agora fútil porém viva; eu vou pedindo para que a viagem chegue ao fim e possa sair daquele carro para aproveitar aquele que pode ser o meu último dia; mas o tempo joga contra mim e o motor do carro tende a me contrariar, o cheiro a gasolina percorre todos os milímetros do carro e invade o meu nariz mas nem assim apaga o rasto do perfume que ele deixou em mim e que implora agora para ficar; o conta-kilometros vai batendo em oco, e eu sinto e sei que a viagem só pode ter um fim, eu sei que o carro só vai parar quando for travado, e eu sei que esta é a minha última viagem no passado a decorrer num duro presente, o futuro trata-se de segundos... E de repente, o futuro trata-se de nada; passaram os segundos e o carro voou , a minha cabeça quis ficar e o meu corpo quis ir acabando por se despedaçar como uma folha de papel cortada em pequenos papeizinhos, numa mistura de traços encarnados e redes de bocados de mim.
E eu sabia, todas as viagens tem um fim e todas as vidas acabam assim.

domingo, 29 de agosto de 2010

e eu nunca deixei de acreditar(?)

Só agora começo a perceber a falta que me fazes, o espaço em branco que ocupas em mim, só agora percebo a falta daquele quente em meus braços, a falta da atenção em meus olhos, a falta do bater do meu coração.
Nunca gostei de jogos fáceis e tu foste tudo menos isso, eras para mim aquele ciclo misterioso recheado de inigmas e palavras de labirintos. Sabes o que me deu força? Foram todos aqueles dias que olhei para a minha parede e encontrei aquelas letras, e encontrei aquela frase, que com o tempo se foram desfazendo, de "e eu nunca deixei de acreditar" restam agora marcas que a tua alma não conseguiu apagar; é horrivel sentirmo-nos inferiores e saber que o topo é inancansavel, e que para sempre estaremos presas neste chão de promessas inacados e sonhos desfeitos, incapazes de despertar aquele sino lá no alto, incapazes de lutar por um sinal.
Cheguei perto disso, juro, em que milhões de vezes repetiu-se-me ao ouvido "para sempre meu, para sempre teu, para sempre nosso" assim como milhões de vezes tentei retirar a voz dos meus ouvidos e acordar de olhos fechados, cega para o mundo, surda para a tua voz, sem olfacto para o teu perfume, sem lábios para a tentação.
Eu cansei-me e sentei-me de novo no chão, mas prometo, é só uma fase de confusão, tudo o que tem acontecido não passa de uma 'fase'; não se pode ter tudo, não é assim?